Foto Galeria

JA slide show

Autenticação



É a coragem da convicção que faz andar as coisas e torna possível qualquer Mudança PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Discurso da Professora Hélia Baptista na Assembleia Municipal de 5 de Outubro de 20101, comemorando o 100º Aniversário da Implantação da República..

 

helia_batista_009Na  manhã de 5 de Outubro de 1910 foi  proclamada solenemente a implantação da República. Tinha chegado ao fim o regime monárquico ,que vigorou em Portugal durante 800 anos. De facto, o regime vivia numa agonia desde os finais do Séc. XIX. Esta agonia é bem retratada no Finispatriae do poeta da época Guerra Junqeiro, do qual eu vou ler apenas 2 estrofes.

Crianças rotas......... sem abrigo!
A enxerga é pobre e a  roupa  é leve
Quarto  sem  luz,  mesa sem trigo !
Quem é que  bate  no meu postigo?
A neve.

A   usura rouba  a luz  e   o   ar !
O negro  pão que  a gente  come.
Inverno vil ...        parou  o tear
Quem vem sentar- se  no  meu  lar?
A  fome !

Havia  de facto miséria e fome. O desemprego tinha aumentado, a dívida pública crescera, alguns bancos tinham falido. O país sentia ainda um enorme descontentamento face a um rei que parecia sucumbir aos interesses britânicos, nomeadamente com a questão do ultimato de 1890. A maioria do povo era  analfabeto.
Impunha-se uma mudança. A classe média e o operariado vão constituir a base de apoio aos novos partidos políticos que surgiam.  A  causa  republicana  era   cada   vez  mais   popular .Contava também com  a  colaboração  de  organizações  poderosas  como  a  maçonaria  e a   carbonária .Os  republicanos
defendiam  o desenvolvimento  económico   do país  e a educação  do povo. Procuravam  reeerguer  o  orgulho  nacional  e  incutir  a   esperança   num   futuro  melhor.
Entre outros ,Ramalho  Ortigão, Teofilo Braga ,Manuel de  Arriaga e Antero de Quental acreditavam  que a  implantação   da República  seria   suficiente  para   garantir   um  futuro de  Felicidade, Liberdade e  Democracia para  o país. Bem. Celebrar  o centenário  da República é  uma forma de homenagear  o   país em que vivemos, de  compreender  e  valorizar a  nossa história .
Mas,e agora ?
Agora, como vivemos em 2010?
É  imperioso que seja feito um  balanço . Agora, que a crise se  tornou indisfarçável  e  incontornável, o balanço que importa não é o de todo este século  passado, que foi de  grande instabilidade,mas  o  balanço das últimas  décadas ,porque o que hoje  vivemos  é o fim de um ciclo  que  se iniciou  com a revolução  de Abril de  74.
Este  período,cuja história essencial é  conhecida, teve   um  conjunto de  fases  diversas, sob a liderança de variados  protagonistas.
Foram eles , com  as suas opções que nos conduziram  à situação em que  nos  encontramos.
Ainda assim,convem  ter presente  que  Portugal  fez notáveis  progressos  até  2000.
Até  2000,Portugal cresceu , tendo sido o  país que mais cresceu desde os  anos 60 ,a seguir à Irlanda.
A  escolaridade universalizou-se ,generalizou-se  a protec ção  social,a esperança. de vida aumentou, a  mortalidade  infantil  caiu .Enfim, o   país aproximou-se em  várias  áreas  dos   padrões  europeus.
Mas,apesar destes  progressos, Portugal manteve  todavia, a sua posição relativa  no  mundo e  momeadamente  na   Europa .Continuamos   no  pelotão dos  mais atrasados, dos  periféricos,dos  mais  aflitos.Portugal foi na zona  euro a economia  que menos cresceu.
A crise está aí , acompanhada por um indesmentível  sentimento  de  apreensão no país .
Portugal é identificado como uma sociedade de profundas desigualdades  sociais.
A repartição da riqueza é a  mais injusta de toda a União Europeia. O estudo  de Alfredo Bruto  da Costa  revela-nos o estado de  pobreza  em  que vivemos.
Por  parte do governo,assistimos agora   a um pacote de medidas de austeridade  com    corte  de salários  na função  pública  e um  agravamento   de impostos. Vão  ser  penalizadas as famílias  de  menos recursos. A  crise que  vivemos   faz-se  notar  nos mais  variados   níveis   do funcionamento   do   sistema. Assim,a  justiça sofre  entorses , em  resultado de pressões   essencialmente de   poderes  económicos, mas também  de poderes  religiosos  e  políticos. A corrupção  é  hoje  o maior obstáculo  ao  desenvolvimento económico. É  o chamado  inimigo  sem rosto .
E no que  concerne à  Educação? Este é um tema que me é particularmente  caro .O ensino gira muito  em torno  de  estatísticas, procedimentos e regulamentos  e gira  muito pouco à  volta de ideias, conteúdos e objectivos  de educação.
A Educação ,é  bom  lembrá-lo, era já  o que mais  parecia   querer  mudar nos  tempos  da  Ditadura  com  Veiga  Simão  à frente  do Ministério  a iniciar   a  massificação escolar a seguir ao 25  de  Abril,a educação  foi  regularmente  apontada  como  factor  diferenciador  e   decisivo  do   regime  democrático ,mas  a aposta   ficou-se  pela  massificação / democratização  com  resultados  que não  nos  tiraram  da   cauda  da Europa.
Numa tentativa de corrigir a baixa formação  dos  Portugueses, o Ministério  criou  agora um  expediente  mágico  « um  expediente  mágico»  ,o Programa  Novas  Oportunidades, confundindo  o que é  mera  certificação  de competências    com  qualificação.
Portugal,atravessa neste  momento  grandes dificuldades. A nossa crise não é apenas  económica , é também  uma  crise  de valores .Parafraseando o nosso Presidente da república   "Há  que  recuperar o valor  da  Família".
Devemos   também  valorizar  a prática  do  valor  da  ética  republicana . A  ética   nos  negócios, nos  mercados , na vida  empresarial  mas   também   na  vida   pública .
A ética  tem  de  ser   um  princípio  de  conduta  para  todos . Precisamos,pois, de  um projecto  de âmbito   nacional ,  um  projecto  que  possa  repôr a representação   simbólica de Portugal  à  altura  da  nossa própria  História , quer na  ordem interna,  quer na  ordem externa.
Ou a Humildade ,o Trabalho,a Competência, a Criatividade e a Coragem  se  impõem, ou  nada nos  poupará  ao  declínio  como  Povo  e  como Nação .`
É  preciso  optimismo e muita  coragem !
Como dizia  Churchill  "É a coragem da convicção que faz  andar as coisas  e torna possível   qualquer  Mudança".
VIVA  A REPÚBLICA !

 

 

ver cOMpOL

ver veread

ver AM

ver FREG

ver junte

 

Newsletter







April 2018
S M T W T F S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 1 2 3 4 5